Em meio à polêmica gerada por um recente estudo que sugere um aumento nos casos de suicídio após o lançamento da campanha Setembro Amarelo, a psicóloga Beatriz Brandão se posiciona de forma contundente sobre o tema. A Dra. Beatriz, especialista em saúde mental, alerta para a complexidade do assunto e critica a superficialidade das discussões em torno da campanha.
“Vamos ser sinceros, qualquer campanha de saúde, por mais bem-intencionada que seja, acaba sendo comercializada de alguma forma”, declara a psicóloga. Ela ressalta que, embora iniciativas como o Setembro Amarelo e o Outubro Rosa visem a conscientização, não se pode ignorar o contexto maior de consumo que as envolve. “Isso não tira o mérito da campanha em si, mas não podemos culpar a iniciativa pelas consequências que se desenrolam em um cenário tão complexo.”
Beatriz Brandão chama a atenção para a falta de causalidade estabelecida no estudo, enfatizando que o suicídio é um fenômeno multifatorial. “Simplificar essa discussão não ajuda em nada. Fatores como uso de álcool e drogas, o impacto das redes sociais, a falta de leitos psiquiátricos e até a subnotificação de casos anteriores precisam ser considerados”, afirma.
A psicóloga também critica a abordagem atual do Setembro Amarelo, que se limita a mensagens motivacionais que, para muitos, soam vazias. “Para quem está no auge do sofrimento, ouvir ‘valorize a vida’ ou ‘peça ajuda’ pode aumentar o sentimento de desamparo”, alerta. A Dra. Beatriz destaca a necessidade de uma educação mais profunda sobre o tema, explicando a origem da campanha e como ela pode realmente ajudar.
Além disso, Beatriz enfatiza que o sistema público de saúde mental é precário. “O que adianta uma campanha de conscientização se, na prática, as pessoas que procuram ajuda não encontram atendimento adequado?”, questiona. Para ela, é essencial que haja uma rede de apoio real, com profissionais capacitados e serviços acessíveis.
Em suma, a psicóloga conclui que o que realmente precisamos são campanhas integradas a ações concretas e práticas que vão além de simbologias. “Precisamos de soluções tangíveis para quem mais precisa, não apenas de fitinhas amarelas”, finaliza.
Sobre Dra. Beatriz Brandão
Psicóloga Clínica – C R P: 0 6 / 1 2 5 9
Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP, com pós-graduação em Neuropsicologia. Especialista em Psicoterapia de Adultos e Casos, Psicofarmacologia, Psicodiagnóstico e Psicopatologia. Com 9 anos de atuação clínica e 11 anos de experiência em recursos humanos, Beatriz é reconhecida por seu trabalho com transtornos de humor, ansiedade e personalidade, além de autoconhecimento. Desenvolvedora de programas de saúde mental corporativa e palestrante. Comunicadora digital na área de psicologia, é autora do livro independente “Quem Sou Eu”, focado em autoconhecimento, e do livro “Puxão de Orelha – Isso Não é Autoajuda”.
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